Introdução ao Mercado de Opções

O Mercado de Opções é o mercado em que são negociados direitos de compra ou venda de um lote de ações, com preços e prazos de exercício pré-estabelecidos. As cotações desses contratos nos permitem uma formação de preços transparente, fato este primordial para se ter um mercado competitivo e equilibrado. Os objetos de negociação
incluem ações, moedas, títulos, commodities, índices e contratos futuros.

Precificando e Classificando às Opções

É possível classificar as Opções de três formas distintas de acordo com a relação entre o preço de exercício da Opção e a cotação atual do ativo-objeto. São elas:

“Dentro do dinheiro” (in the money – ITM) – A Opção é dita “dentro do dinheiro” quando possui valor
intrínseco, isto é,  o valor do strike da opção é menor que a cotação atual – Por exemplo : Cotação do ativo  R$ 20,00 – Strike da opção  R$ 18,00  nesse momento valeria a pena o comprador exercer a opção na data do vencimento. Estas opções em geral tem um valor financeiro mais alto.

“No dinheiro” (at the money – ATM) – A opção “no dinheiro” está no limite entre possuir ou não valor intrínseco. Essas opções em geral são as mais negociadas e trazem grandes incertezas.

“Fora do dinheiro” (out of the money – OTM) – A opção “fora do dinheiro” quando não valeria a pena

exercê-la o valor do strike está acima do valor da cotação, ela não tem nenhum valor ela tem apenas expectativa. 

O valor de uma opção

Um dos pontos mais importantes e vitais no processo de compreensão do Mercado de Opções é entender quais os fatores que afetam os preços das Opções.

A importância de se entender estes conceitos é porque passa a ser possível esclarecer muitos pontos acerca do comportamento das Opções.

Pontos como elucidar o motivo pelo qual nunca é ideal exercer uma Opção americana de compra sobre uma ação que não distribui dividendo antes do vencimento ou a razão pela qual é interessante antecipar o exercício de uma Opção americana de venda sobre a ação que não distribui dividendo podem ser esclarecidos a partir da análise e entendimento destes fatores.  

As Opções, como qualquer outro ativo, têm seus preços determinados pelas forças de oferta e demanda do mercado.

Do ponto de vista teórico, o prêmio de uma Opção depende de dois fatores: o valor intrínseco e o valor tempo 

Parâmetros de Cálculo do preço de uma opção

Existem cinco fatores muito importantes que afetam o preço de uma opção. Com intuito de uma melhor compreensão do assunto, somente iremos considerar Opções cujo ativo-objeto é uma ação. 

PREÇO DA AÇÃO (S) – É a referencia para que tenhamos opções.

PREÇO DE EXERCÍCIO (X) – É o pelo qual o titular da opção pode exercê-la.

VOLATILIDADE (σ) – É onde tudo acontece, mede o grau de incerteza em relação ao nível de preço do ativo.

TEMPO (T) – Ele é nosso amigo dependendo da estratégia a ser montada. Tempo para o vencimento da opção. Quanto mair o tempo, maior será o prêmio da opção, já que isso contribui para aumentar as possíbilidade de exercício.

Taxa de Juros (r) – Já foi muito influente quando tinhamos altas taxas de juros no Brasil. Hoje não considero muito, porém não podemos deixar de lado. Quanto maior a taxa de juro, maior será o prêmio de uma call e menor será o prêmio de uma put e vice-versa.

Efeito : Fator x Prêmio das Opções

É sabido que os fatores mencionados acima influênciam diretamente no preço de uma Opção, alguns em maior escala que os outros. É possível montar uma tabela resumindoo efeito causado pelo aumento de cada um deles, sobre o prêmio das Opções de compra (call) e de venda (put) de uma ação.

Analisando as informações contidas na tabela, fica clara a importência de se entender o efeito causado por cada um destes fatores. Como qualquer outro ativo, uma opção vai te dar lucro em dois momento.

1 – Quando compramos por um valor x e vendemos por x+1.

2 – Quando vendemos por um valor y e compramos por  y-1.

Continuando a análise da tabela e a título de ilstração, suponhamos que um investidor esteja comprado em uma call. Caso o preço do ativo-objetovenha subir, o prêmio desta opção também irá subir. Por outro, ainda no caso da call, quanto maior for o preço do exercicio, menor será o seu valor, isso porque as chances desta opção ser exercida é baixa; No que diz respeito à volatilidade do preço do ativo, quanto maior ela for maior será o preço das suas opções, já que a possibilidade de exercício é maior. A variável tempo influi positivamente nas opções americanas, mas pode influenciar positivamente ou negativamente nas opções européias. No cado de opções “fora do dinheiro”, isso implicará numa maior probabilidade de não ocorrer o exercício e, portanto, menor valor da opção.

Estratégias

O Mercado de Opções é dotado de grande flexibilidade, permitindo um número muito grande de estratégias operacionais que dão aos investidores diversas alternativas, tanto especulativas quanto de proteção. As estratégias com Opções podem ser divididas em dois grupos: estratégias direcionais e estratégias não direcionais.

Vamos explicar algumas, com isso já será possível  operar no mercado montando estratégias.

Estratégias direcionais

As estratégias direcionais são operações onde precisamos de uma direção seja um movimento de alta  ou de baixa para o ativo-objeto. Esse movimento  será o que determinará o sucesso na operação e no seu resultado final. 

Mostramos abaixo algumas estratégias que se enquadram nessa classificação

Trava de Alta 

Quando usar: Quando você achar que o mercado irá subir, mas com alta limitada.

Uma boa posição se você quer se manter no mercado, mas está menos confiante em relação às expectativas otimistas. Tenha  certeza que Você não vai estar sozinho, essa é a negociação altista mais popular.

Características de lucro:  O ganho é limitado e alcança seu ponto máximo (B) quando o mercado fechar no preço de exercício (B) ou acima dele na data de vencimento. Essa operação é para Call se for feita com PUT muda o conceito no ponto de equilibrio.

Características de prejuízo: O que ganhamos é limitando o potencial de lucro é basicamente uma limitação da perda, se você errou em sua previsão e o mercado começou a cair. O prejuízo máximo irá ocorrer quando o mercado ficar no preço de exercício no ponto (A) ou abaixo dele no vencimento. Com Put muda o conceito do ponto de equilibrio

Características de depreciação: Se o mercado estiver no meio entre A e B, teremos pouca ou nenhuma depreciação. Se o mercado estiver mais próximo de B = lucro e, se o mercado estiver mais próximo do ponto A = prejuízo.

Exemplo:   Vamos assumir o seguinte :  

Ponto A – Strike 250 – R$15,00 de prêmio.  Ponto B – Strike 350 – R$  4,00 de prêmio.

Compramos A iremos pagar R$ 15,00 e Vendemos B iremos receber R$ 4,00  o que resulta em um valor a ser pago na operação de R$ 11,00 esse valor será também nosso prejuízo máximo.

Nosso ganho máximo é a diferença dos strikes  350 – 250 = R$ 100,00  como nós pagamos R$ 11,00 então nosso lucro máximo será de  R$ 89,00 no dia do  vencimento.

Vamos supor que no dia do vencimento o ativo está sendo cotado a R$ 328,00.

Qual será nosso Lucro ou Prejuizo?   

Temos que encontrar a diferença entre o valor da cotação e o strike comprado (A) –  328 – 250 = 78 – 11 (o que pagamos)  = R$ 67,00 de lucro multiplicado pela quantidade de opções. Dessa forma iremos aplicar para todos os valores entre 250 e 350.

Trava de Baixa 

Quando usar: Quando você achar que o mercado irá cair, mas com baixa limitada.

Uma boa posição se você quer se manter no mercado, mas está menos confiante em relação às expectativas baixistas. Esta posição é a mais popular entre investidores que apostam na queda, podemos montar uma operação conservadore e com risco muito bem controlado. Como nessa operação nós arrancamos grana do mercado, todas as corretoras vão chamar margem ou seja temos sempre que ter uma reserva financeira para poder cobrir essa chamada de margem.

Características de lucro:  O ganho é limitado e alcança seu ponto máximo quando o mercado fechar no preço de exercício (A) ou abaixo dele na data de vencimento. Essa operação é para Call se for feita com PUT muda o conceito no ponto de equilibrio.

Características de prejuízo: Ao aceitar um limite nos lucros, você também limita as perdas. Na data de vencimento, os prejuízos aumentam à medida que o mercado sobe em direção ao preço de exercício (B), no qual as perdas atingem seu ponto máximo. Com Put muda o conceito do ponto de equilibrio

Características de depreciação: Se o mercado estiver no meio entre A e B, teremos pouca ou nenhuma depreciação. Se o mercado estiver mais próximo de A = lucro e, se o mercado estiver mais próximo do ponto B = prejuízo.

Exemplo:   Vamos assumir o seguinte :  

Ponto A – Strike 2400 – R$120,00 de prêmio.  Ponto B – Strike 2500 – R$ 50,00 de prêmio.

Vendemos (A) iremos receber R$ 120,00 e Compramos (B) iremos pagar R$ 50,00  o que resulta em um valor recebido na operação de R$ 70,00 esse valor será nosso lucro máximo.

Nosso prejuizo máximo é a diferença dos strikes  2400 – 2500 = (R$ 100,00)  como nós ganhamos R$ 70,00 então nosso prejuízo máximo será de  R$ 30,00 no dia do  vencimento se a cotação estiver perto do ponto (B).

Vamos supor que no dia do vencimento o ativo está sendo cotado a R$ 2100,00.

Qual será nosso Lucro ou Prejuizo?   

Qualquer valor de cotação do ativo abaixo do valor de 2400 resultará no ganho máximo qe já recebemos ao montar a operação.   

Aqui foram apenas duas estratégias mostradas para um mercado direcional seja ela alta ou baixa, mas não podemos esquecer que temos mais de 300 tipos de estratégias para o mercado de opções.

Estratégias  não direcionais 

Estratégias não direcionais são aquelas em que a direção do movimento do preço do ativo-objeto não influencia o resultado da operação. Antes de começarmos a falar sobre esse tipo de estratégia devemos esclarecer alguns pontos fundamentais para a melhor compreensão do assunto.

Black & Scholes

O modelo de Black & Scholes consiste em um conjunto de equações que visam o cálculo do prêmio justo das Opções. 

Lançando mão de algumas variáveis, as equações do modelo dão ao investidor TEORICAMENTE o que seria o prêmio justo de determinada Opção para um determinado cenário.  Vejam abaixo quais são as variáveis utilizadas nesse modelo para o cálculo do prêmio justo. 

Além do prêmio justo da Opção, o modelo também nos informa como este se comporta quando uma das variáveis que o influenciam é alterada, enquanto as outras são mantidas constantes. Essas informações são obtidas através das chamadas letras gregas. 

Em uma análise mais técnica, as gregas representam as derivadas da função de precificação em relação a cada uma de suas variáveis, fornecendo ao investidor as taxas de variação. Elas são: 

É a primeira derivada do prêmio da Opção em relação ao preço do ativo-objeto. Mede a variação do prêmio para cada variação de R$ 1,00 no preço do ativo-objeto.

É a segunda derivada do prêmio da Opção em relação ao preço do ativo-objeto. Mede a variação do delta para cada variação de R$ 1,00 no preço do ativo-objeto.

É a primeira derivada do prêmio da Opção em relação ao tempo. Mede o decaimento do prêmio para cada variação de um dia até a data de vencimento. 

É a primeira derivada do prêmio da Opção em relação a volatilidade. Mede a variação do prêmio para cada variação de 1% na volatilidade do ativo-objeto.

É a primeira derivada do prêmio da Opção em relação à taxa de juros. Mede a variação do prêmio da Opção para cada variação de 1% na taxa de juros. 

Como dito antes, em uma operação não direcional com Opções a direção do movimento no preço do ativo-objeto não pode impactar no resultado da estratégia. Para tanto, o investidor deve montar um portfólio que possua o delta igual a zero.

Para alcançar esse objetivo, o investidor deve realizar uma operação chamada Delta Hedge, tomando posição contrária no ativo-objeto a que se está no mercado de Opções.

Por exemplo, se estiver comprado em 10.000 Opções de compra com delta igual a  R$ 0,50, para efetuar um Delta Hedge deverá vender 5.000 ativos.

Observe que se o preço do ativo subir R$1,00, o investidor estará ganhando R$ 5.000,00 na posição comprada em Opções (delta = 0,50) e perdendo R$ 5.000,00 na posição vendida em ativos-objetos (delta = 1).

Analogamente, se o preço do ativo-objeto cair R$ 1,00, o investidor perderá R$ 5.000,00 na posição em Opções e ganhará R$ 5.000,00 na posição vendida em ativos-objetos. 

Observe que, ao montarmos uma estrutura Delta Hedge, alterações no preço do ativo-objeto passam a não mais impactar a carteira como um todo.

Como vimos anteriormente, o delta da Opção não é constante. Seu valor se altera com alterações no preço do ativo-objeto em uma proporção dada pela letra grega Gamma.

Por esse motivo, o Delta Hedge é uma estrutura dinâmica, já que deve ser modificada de acordo com oscilações no delta da opção operada.

Trades de Volatilidade

                                              

Uma operação de volatilidade é essencialmente uma estratégia não direcional.

• Uma posição comprada em volatilidade é aquela em que o aumento da volatilidade implícita da Opção proporciona lucro na operação. 

• Uma posição vendida em volatilidade é aquela em que uma diminuição na volatilidade implícita da Opção proporciona lucro na operação.

Para montarmos uma posição comprada em volatilidade, devemos comprar Opções e vender ações no mercado à vista na proporção delta. Para vendermos volatilidade, devemos vender Opções e comprar ações no mercado à vista na proporção delta. Como visto anteriormente, o impacto no preço justo da Opção causado por uma alteração na volatilidade do ativo-objeto é dado pela letra grega Vega.

As Opções com maiores Vegas são aquelas que possuem preço de exercício próximo ao preço à vista do ativo-objeto.

Exemplo:

Considere que, em determinado momento, esperássemos um aumento na volatilidade do ativo XXXX .

Assumindo que esse papel estivesse cotado a R$ 10,00 e uma opção desse ativo com Strike 10, delta igual 0,50 e Vega igual a 0,021 estivesse cotada a R$ 1,50, poderíamos tomar uma posição comprada em volatilidade comprando 10.000 opções e vendendo 5.000 ativos XXXX .

Como pode ser observada, a estrutura montada possui delta nulo, ou seja, está imune a variações no preço do ativo-objeto.

Observe agora o que acontece com nosso portfólio quando a volatilidade do ativo-objeto se altera.

Com um aumento de 1% na volatilidade do ativo XXXX , a posição vendida neste não é afetada, porém, o prêmio da Opção comprada aumenta R$ 0,02, o que nos faz ganhar R$ 200,00 em nossa posição comprada em Opções. Com uma diminuição de 1% na volatilidade do ativo-objeto, a posição vendida neste não é afetada, porém, perdemos R$ 200,00 em nossa posição comprada em Opções

O que mostrei aqui é apenas a ponta do iceberg, viso que o mercado de opções é muito amplo, aqui no Brasil não são todas as ações que possuem opções com liquidez, infelizmente ainda estamos  caminhando bem devagar, mas é possível de uma forma estruturada montar excelentes operações e estratégias para os mais diversos momentos do mercado.

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Joca

João Carlos R. Pinilla (Joca), Paulistano, 50 anos, formado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário FEI, especialização em Gestão Estratégica de Negócios pela FGV-SP , Pós Graduado pela
FIA e MBA Marketing pelo INPG.

. Atuo no mercado financeiro desde 2002 operando no mercado à vista, opções e futuros. Me especializei em opções montando diversas estratégias tanto no mercado brasileiro e no mercado americano.

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